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O Ecossocialismo contra o capital, pelo Planeta

Tese da Ação Popular Socialista (APS/PSOL) para o IV Encontro Nacional Ecossocialista do Partido Socialismo e Liberdade. 27 e 28 de julho de 2019 – DF. A seguir.

  O Ecossocialismo para outra fase da luta contra o capital, pelo Planeta

Tese da Ação Popular Socialista (APS/PSOL) para o IV Encontro Nacional Ecossocialista do Partido Socialismo e Liberdade

27 e 28 de julho de 2019 – DF

 

A destruição e Plano B

Do documento anterior da setorial Ecossocialista do Psol prá cá, o que mudou na conjuntura do Planeta e do Brasil?

As informações dando conta da exaustão do Planeta causado pelo sistema capitalista, se confirmam;

As denúncias de não cumprimento dos tratados e acordos climáticos internacionais, se confirmam;

Se confirmam a gravidade do adoecimento dos meios ambientes básicos para a vida: os biomas estão sendo destruídos (Cerrado, a Amazônia, o Pampa, o que restou da Mata Atlântica); aumentou a contaminação das águas dos oceanos e rios.

E, cresce a possibilidade do Plano B capitalista, de colonizar um outro Planeta.

O fortalecimento da perspectiva política conservadora direciona suas forças produtivas e intelectuais de seus países para impulsionar o modo de produção para a 4ª Revolução Tecnológica.  Aprofunda a desigualdade de renda, e piora as perspectivas liberais democráticas.

Estas características estão particularmente nas políticas do governo norte americano  mas também de outros países que, mesmo com outra perspectiva geoeconômica, como a China e Rússia, assumem as características do projeto conservador, na cultura da produção de bens de massas, principais responsáveis pela ampliação das degradação do o ambiente e da ameaça da humanidade.

Mas, sem resolvem a crise econômica internacional do capitalismo, utiliza percentual da riqueza que circula nos marcos do sistema financeiro e comerciais do mundo, para financiar este projeto.

Se estes gastos ainda não foram calculados, seus resultados são de que a devastação ambiental faz com que o Planeta entre no “negativo”, cada dia do ano mais cedo. Quer dizer, será nos 210 primeiros dias de 2019 que a humanidade terá consumido todos os recursos naturais que o planeta consegue regenerar no período de um ano.

No calculo da Global Footprint Network, organização internacional de pesquisa parceira do WWF, ONG ambiental, a velocidade de consumo é 74% maior do que capacidade de a Terra se regenerar.

Com estes projetos econômicos e políticos em andamento o governo norte americano pretende responder a principal questão colocada pelos ambientalistas – e até mesmo pelos cientistas liberais: a destruição do sistema capitalista ou a destruição do Planeta.  A resposta é nova corrida espacial, visando a colonização do espaço, particularmente de Marte e, ao mesmo tempo, aperfeiçoando seus instrumentos de dominação, criando armas novas buscando a hegemonia política e militar da Terra.

Este o plano B do imperialismo norte americano. Outro planeta onde poderá continuar praticando a ideologia da classe dominante, o sistema capitalista, e manter aprisionada a maioria da população no inferno social  da violência de todo tipo.

O processo que vemos é a pedagogia para a construção deste projeto. Para os “de baixo” é a continuação de morrer todo dia, em quantidades cada vez maiores, atingidos pelas catástrofes climáticas e ampliação da miséria, como já nos mostram os dados da Organização Mundial da Saúde (https://saude.abril.com.br/medicina/10-grandes-ameacas-a-saude-em-2019-segundo-a-oms/), e outras agencias da ONU.

 

As unidades negacionistas

Para alcançar estes resultados, o sistema imperialista entra noutra etapa produtiva. Os investimentos internacionais pretendem aumentar a exploração da natureza e mão de obra para além do estabelecido pelas normas de relações do trabalho ou de respeito ao meio ambiente, até agora.

Esta cultura, chamada de “negacionista”, não reconhece as causas apontadas por cientistas e agencias internacionais – como a ONU Meio Ambiente (https://nacoesunidas.org/agencia/onumeioambiente/), do aquecimento global, nem assume, nos países onde tem força, responsabilidades pelas consequências pelo processo de miserabilização social e degradação ambiental. Mas, os investidores deste e outros espectro ideológico, participam todos de projetos que aceleram a degradação ambiental, mesmo que, com argumentos diferentes dos negacionistas. Mesmo que, China e Rússia, por exemplo, pensam suas opções políticas estratégicas no sentido de sua luta contra a unipolaridade buscada pelos EUA e as implicações que esta luta possui na questão ambiental.

Assim, os esforços dos grandes investidores – usando os recursos da 4ª Revolição Tecnológica -, estão voltados para o controle das principais fontes de matérias primas e energia, objetivando o domínio político das sociedades.

Para justificar sua política, há conservadores que abandonaram os limites da ciência para explicar fenômenos como o aquecimento global ou o aumento das águas dos oceanos. Afirmam que são ocorrências que acontecem ao longo dos períodos da formação do Planeta. E há os que não têm postura anti-científica e não são negacionistas, como os chineses, mas adotaram políticas de desenvolvimento capitalista para seus projetos de dominação política.

Em conjunto, as medidas que tomam, informa que a exploração do Planeta e a mão de obra estão sendo colocados noutro patamar.

 

Desacordo

Os acordos internacionais firmados pela classe dominante funcionam?

Mesmo advertidos de que o período de não retorno do colapso socioambiental se aproxima, não há respeito ao cumprimento dos acordos de preservação ambiental ou climáticos, pequenos ou grandes, como os acordos do clima de Quioto ou Paris.

No caso específico do acordo de Paris, a grande maioria das partes que o ratificaram não estão adotando políticas consistentes com seus compromissos de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Os EUA, com o governo Trump, o utiliza para fazer disputa ideológica, retirando sua assinatura. E, cerca de 33% da produção de petróleo no mundo é de países que sequer o assinaram. Assim, as diversas avaliações do clima apontam que as políticas dos governos do sistema mantém a trajetória de aquecimento médio global de 3,1oC a 4,8oC até 2100 em relação ao período pré-industrial. O que indica que esse aquecimento supere 3oC, nível considerado a consolidação da “catástrofe”, já antes de 2050.

Ainda no âmbito do Acordo de Paris, os governos do Brasil incentivaram ou não controlaram os desmatamentos. Estados como Mato Grosso e Pará registram taxas de mais de 70% do desmatamento sendo completamente ilegal e sem controle3.

 

Cenário mais amplo

Os registros científicos do clima, do ambiente, dos biomas e outros acontecimentos naturais, deixam de ser fatos isolados para compor um cenário onde avança as anomalias climáticas.

Setores da ciência já trabalha com o conceito de Antropoceno, a era geológica demarcada pela atual civilização capitalista.

Ondas de calor extremo, secas, incêndios florestais, furacões, inundações marítimas/trombas d’água, migrações e proliferação de pragas agrícolas e de vetores de epidemias, declínio de populações de vertebrados e invertebrados, aumento da fome global, explosão de refugiados climáticos e das crises humanitárias, no volume e intensidade que ocorrem atualmente representam mudança ambiental e causa transformações socioambientais Planetárias, como registradas no relatório de 2019 do Institute for Public Policy Research (IPPR), de Londres, na “idade do colapso ambiental” (the age of environmental breakdown) [II]. Não são fatos conjunturais. São fenômenos climáticos que modificam estruturalmente o funcionamento do planeta.

Nossa análise de conjuntura só terá sentido político revolucionário se incorporar não apenas os aspectos econômicos, políticos, culturais e sociais, mas os ambientais que envolvem clima e o território afetados pelos desastres que estão e vão ocorrer.

Estes acontecimentos deixam de ser “desastres naturais” –, como a tempestade Idai, que destroçou o sudeste da África, atingindo principalmente os setores sociais moçambicanos mais pobres –, e passam a ser crimes climáticos. Sendo ocorrências que atingem os mais pobres e oprimidos.

A única chance de haver alteração significativa do desastre ambiental planetário em curso é a vitória de projetos políticos contra hegemônico, Ecossocialista, sob o controle dos “de baixo”, da classe trabalhadora, dos povos oprimidos. Entretanto, esta alternativa política está em disputa, carecendo de mais políticas, mais profundidade estratégica e tática. Mas, principalmente, precisa ser orientado para revolucionar o modo de vida, colocar em primeiro plano os valores que rompam com a cultura burguesa, faça surgir ou transforme as organizações sociais de massas e crie nova representação política partidária enraizada na filosofia de identidade com a natureza de um programa de defesa do Planeta, preservação ambiental, respeito a diferença de sexo, gênero, raça, etnia, superação da divisão de classes. Um movimento cultural que possibilite surgir organizações sociais, culturais e políticas significantes de sujeitos indígenas, gênero, negrxos, trabalhadores, juventude.

 

A política internacional e as ameaças Planetárias

Acordos econômicos como o firmado entre União Européia e Mercosul, celebrado na reunião do G20, que ainda precisa de ajustes e ratificação nos respectivos países signatários, sinaliza a tentativa de mudança da integração do Brasil no cenário econômico internacional, e oferecer a possibilidade de impulsionar a ilusão da melhoria das condições econômicas para os explorados e oprimidos, e de proteção do Planeta.

Os acordos comerciais assinados neste junho de 2019 entre América Latina e Europa, aparentemente fortalecem as políticas globalistas (cheias de intenções protecionistas e dos direitos humanos formais), mas na prática dão fôlego político aos projetos dos “nacionalistas” conservadores, que tem avançado.

E ainda faz parecer que o conflito entre conservadores e liberais é insanável.

No atual estágio de luta intraclasse, a política nacionalista dos conservadores, é supranacional, e ganhar terreno com suas políticas de austeridade e redução de direitos.  Mas também não respeita o meio ambiente, considerando-os como meios infinitos de produção.

Se alguns governos, como o alemão e o francês, criticam os que não respeitam ou se retiram dos acordos ambientais, como ameaça o governo brasileiro, é por causa de pressões sociais internas. Na França, entre outros, o setor agrícola, e na Alemanha, o movimento ambiental, que, organizado em Partido, faz parte da sustentação do governo de Ângela Merkel.

Mergulhados na crise internacional do sistema, os governos globalistas ou protecionistas, neoliberais ou nacionalistas, não retornarão as políticas sociais e econômicas do ciclo político anterior – vamos dizer, dos últimos 30 anos -, porque a realidade material, orgânica, sistêmica que existia, mudou e não voltará mais.

A alternativa tecnológica impulsionada pela 4ª revolução tecnológica possibilita que as políticas do capital tenham novas possibilidades de produção e exploração social e ambiental. E, nas mãos dos conservadores, propõem a produção fora dos padrões atuais.

O sistema de salvaguardas ambientais construído pela processo burguês-liberal no pós-guerra, caracterizado pelos fóruns sob a proteção da ONU, Banco Mundial e FMI – como o Fórum Mundial da Água, ou Acordos como o de Paris, ou o de Proteção dos Oceanos -, está falido. Deixam de representar a possibilidade de articulação e acordos internacionais sérios entre governos, grandes empresas e movimentos sociais  confiáveis. Se em algum momento houve atenuação da exploração e aumento da proteção ambiental, o foi em decorrência da organização e mobilização dos trabalhadores, juventude e povos originários. Mas, neste momento histórico, os projetos políticos liderados pelos conservadores, colocam esta arquitetura legal e política fora de seu papel limitador da exploração dos trabalhadores e do meio ambiente.

 

Os casos Brasil

Em seis meses, foram detectados mais de 4,5 mil alertas de desmatamento no território brasileiro. O alerta é do sistema Mapbiomas, em funcionamento desde 2015. O sistema Mapbiomas monitora sinais de alerta de desmatamento, registrados por satélites. E mostram que em seis meses foram registrados 4.577 focos de desmatamento. O sistema cruza diferentes bases de dados e consegue emitir laudos detalhados sobre o território afetado pelo desmatamento.  São dados que representam análise completa de 80% dos casos – 20% ainda estão sob investigação da equipe. Os alertas identificaram que os focos estão:

95% em áreas não autorizadas para desmatamento;

31% (1.419) são focos em áreas de Reserva Legal;

55% em áreas privadas com Cadastro Ambiental Rural;

9,6% (442) em Áreas de Proteção Permanente e 1,1% (51) em nascentes.

Os dados consolidados do sistema Terra Brasilis, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),  mostram que a Amazônia Legal brasileira foi desmatada em 920,4 km², até junho de 2019, um aumento de 88% em comparação com o mesmo período 2018.

A agressão a Amazônia teve impulso com a medida tomada pelo governo Temer de acabar com a Reserva Nacional de Cobre, entre o Pará e o Amapá. Estudos realizados pelo Ministério da Saúde e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), constataram níveis elevados de metilmercúrio na população do entorno da bacia do rio Tapajós, uma das maiores da Amazônia.

Mas, o Mapbiomas detectou que o bioma mais afetado no ultimo período é o Cerrado, que teve área de 47.704 hectares desmatados. Seguem a Amazônia, com 27.285. Mata Atlântica com 6.552. Caatinga 4.332, Pantanal 3.531, e o Pampa com 337 hectares.

Outra fronteira que ganhou novo impulso em expansão da exploração mineral é a região do Rio Grande do Sul.

Estão protocolados na Fundação Estadual de Proteção Ambiental – FEPAM – mais de mil pedidos de pesquisa de terrenos. Já foram concedidas mais de 166 de lavra. Destas, quatro projetos são considerados de mega investimentos de capitais nacionais e chineses.

O principal, localizado entre os municípios de Eldorado e Charqueadas, pretende minerar carvão e ser a base para a criação de um polo carboquímico, ameaçando o lençol freático de reservas de água doce que serve a cerca de 4 milhões de pessoas, além de contaminar o ar e destruir a a produção de pequenos e médios produtores da maior produção de arroz orgânico da América do Sul.

Os outros três projetos abertos nesta nova fase da mineração de solos gaúchos são no município de São José do Norte, para extração de titânio;  em Lavras do Sul, para extração de fosfato; e em Caçapava do Sul, para minerar cobre, zinco, prata e outros minerais.

No Estado da Bahia, o governo petista de Rui Costa, segue a linha do governo federal, e dá continuidade ao projeto da FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) e do Porto Sul em Ilhéus. O objetivo é o escoamento dos minerais (entre eles o Urânio) da região de Caetité e Guanambi, além da soja do oeste do Estado.

 

Processos de destruição

As políticas agrícolas dos governos federal e estaduais são causa de desastres ambientais e continua destruição das reservas de todo tipo de biomas.

Sob o impacto da IV Revolução Tecno/Informática. Temos um processo de transformações da organização da produção em curso.

A introdução da soja como principal commoditie agrícola no país, desde a Revolução Verde, a partir do Cerrado, é um exemplo que inicia novo ciclo.

Desde a Revolução Verde a soja vem sendo introduzida como a principal commoditie agrícola do Brasil. O Cerrado tem sido o Bioma substituído pela soja nos últimos 50 anos, e, no ultimo período, o mais afetado, como detectou o sistema Mapbiomas.

Os Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tiveram essa substituição por meio do PRODECER (Programa de Desenvolvimento do Cerrado). Basicamente, metade do Cerrado brasileiro já foi suprimido. A outra metade está em disputa com o novo projeto que dá continuidade à substituição do Cerrado pela soja, que é o MATOPIBA. (Região com remanescente de Cerrado dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), criado em 2015 no governo Dilma.

O Greenpeace divulgou um relatório “Segure a Linha: a expansão do agronegócio e a disputa pelo Cerrado” em 2018, revelando que a modernização agrícola na Região do MATOPIBA foi empreendida pelo Estado brasileiro, que legitimou a grilagem de terras, liberou a supressão do Cerrado e recentemente, como é o caso da Região Oeste da Bahia, libera o uso irresponsável da água para a agricultura irrigada.

Os governos petistas na Bahia não enfrentaram esta situação, ao contrário, liberaram mais outorgas de água para a agricultura irrigada do MATOPIBA do que o volume desviado na transposição do Rio São Francisco.

O Oeste da Bahia é responsável no período de seca, por aproximadamente 70% do volume de água de toda a Bacia Hidrográfica do Velho Chico. Esta mesma região, produz mais da metade da soja e do milho e cerca de 75% de todo o algodão do MATOPIBA. Por causa desta situação, a Região Oeste da Bahia está se transformando no palco dos maiores conflitos por água do Brasil, como foi o caso no município de Correntina, em que as comunidades tradicionais geraizeiras deram um exemplo na luta pela água. Porém, o Estado da Bahia continua liberando outorgas de água e autorização para desmatar o Cerrado em terras devolutas e ainda criminaliza as comunidades que resistem ao MATOPIBA.

O Cerrado brasileiro é a caixa d’água natural de uma região da América Latina. Sua importância para a humanidade não pode estar definida para ser apenas um celeiro agrícola para uns poucos enriquecerem sob o argumento do Brasil cumprir o seu papel de país agrário exportador na atual DIT (Divisão Internacional do Trabalho).

 

O espaço como realidade de ideologia

As contradições ideológicas e as disputa econômica intraburguesa estão sendo superadas na dinâmica da realização deste projeto. O que as unifica é, principalmente, a constituição do estado mínimo, acabando com as políticas de atendimento universal à educação, saúde, previdência da população, e retirada de direitos dos trabalhadorxs, dos indígenas, mulheres, negrxs.

No Brasil, tanto capitalistas conservadores quanto os chamados “progressistas”, apesar das divergências, estão unidos na proposta da reforma da previdência que desmonte os direitos dos trabalhadores, reduza ao mínimo a participação do estado na possibilidade de futuro social coletivo publico e investimento mínimo nas políticas da Educação e da Saúde.

Estas políticas destroem a estrutura estatal de proteção social e ambiental, visando controlar e explorar diretamente áreas urbanas, territórios preservados pelos povos negros e indígenas. Fazem parte dos objetivos da nova ordem política mundial que está se desenhando.

 

Quando ocorrerá a ruptura?

Diante do cenário de proximidade com os limites estruturais do planeta e do próprio capital e sua reprodução, a questão que vem a tona não é SE haverá ruptura, mas QUANDO essa ruptura ocorrerá?

Documentos como o “Tornar sustentável o comércio com o Brasil”, apresentado neste junho passado de 2019 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), representando mais de 300 povos indígenas do Brasil, subscrito por 604 cientistas de inúmeros países, e o documento “Crianças e jovens do mundo inteiro estão falando, e devemos escutá-los. Em jogo, o futuro”, do mesmo período, assinado por articulação de “Cientistas pelo futuro-BR”, apontam que está em jogo a manutenção das responsabilidades ambientais assumidas pelos governos brasileiros passados, ameaçadas pelas políticas do governo presente. Mas explicita para todos, como sempre, que vão depender da radicalidade da luta por projeto político contra hegemônico.

Para conter ou impedir as possibilidades de conflitos e revoltas populares, as burguesias utilizam também acordos nacionais ou internacionais citados, climáticos, ambientais ou econômicos, ou sociais, para o sistema ganhar tempo e se fortalecer, dando continuidade a sua cultura de destruição Planetária, com aprofundamento da exploração e opressão dos trabalhadorxs, em sua trajetória.

Na nossa compreensão de mundo o processo de luta pela preservação do planeta deve ser assumido de forma concreta para todos, assumido pelos “de baixo”, e, mas especialmente para nossa militância, que:

1) os modos vigentes de produção estão próximos da exaustão, tanto em seu mecanismo econômico de funcionamento como pelos limites ecológicos impostos pelo planeta;

2) os Estados Unidos acelera projetos de extração exaustiva da Terra,  e pretende iniciar processo de colonização extra-planetária; e, neste cenário, oferecer a um segmento da classe dominante a possibilidade de se colocar como única sobrevivente deste processo, utilizando o que restar da Terra, da sua natureza e da sua força de trabalho para atingir tal objetivo;

3) as burguesias nacionais e da América Latina são aliadas deste processo, num retorno do processo alto de colonização e dominação política e ideológica, aumentando a destruição das  formas históricas de produzir e aspectos culturais do povo;

4) os acordos internacionais formulados por Estados Unidos e União Europeia, em diversas áreas (econômica, ambiental, social), construídos nos paradigmas democrático-burguês da convenção de Breton Woods e do pós guerra, e os recentes, do conservadorismo  negacionista, não servem aos povos oprimidos da América Latina, Ásia e África.

São compromissos para não serem cumpridos fora dos interesses das forças centrais do capitalismo, que não deixam de realizar seu modo de produção destrutivo para o cumprimento das possibilidades de produzir oferecidos pelas constantes alternativas produzidas pela 4ª Revolução Tecnológica.

5) a única via possível de superação deste processo é a organização política da classe trabalhadora, dos povos oprimidos e colonizados do mundo, organização essa que deve refletir, interna e externamente, a emancipação dos povos oprimidos do mundo com um projeto Ecossocialista.

 

A luta pelo Ecossocialismo

Quais ou qual devem ser os parâmetros do projeto político-ecológico, ecológico-político do Ecossocialismo?  Não partimos do zero.

A luta ambiental está entrelaçada nos projetos políticos em curso – da direita ou da esquerda. Os à esquerda visam emancipar a classe trabalhadora e os povos oprimidos dos seus processos de submissão ao capitalismo.

A luta Ecossocialista se relaciona com mudanças  profundamente transformadoras na relação com o nosso pré- consumo e pós- consumo, o que modificará nossa participação na produção de resíduos sólidos, já que fazemos parte dessa cadeia produtiva do lixo. Desde individualmente, passado pelos grupamentos sociais e chegando ao estado e ao empresariado, devemos colocar na ordem do dia as ações propostas pelos planos nacionais de gestão de resíduos sólidos.

Passam pelas lutas contra os grandes projetos econômicos que impactam o ambiente como os projetos agrícolas, as mega obras de construção de estruturas para a produção de energia hídrica, eólica ou solar.

As políticas de construção do Ecossocialismo devem propor a redefinição do modo de produção e passar por estabelecer plano estratégico de mudança cultural, na transformação para o modo de vida com outra relação sócio ambiental que coloque no poder os “de baixo” e priorize a preservação do Planeta e da vida com sua diversidade.

A preocupação com os limites estruturais do planeta, com os modos tradicionais de vida e a produção  com a biodiversidade, se intersecciona na luta pela sobrevivência de todos os grupos humanos, na luta pela permanência da vida e da terra da abundancia no Planeta.

O Ecossocialismo deve ser um projeto político de emancipação de todas as opressões, inclusive das imposições sociais e econômicas que acabam por destruir o planeta e reduzir a vida, seu conteúdo, sua complexidade.

A luta do projeto Ecossocialista não pode se identificar com a expansão do rebanho bovino e com o consumo desordenado das carnes e de nenhum outro produto – para alimentação ou não – em detrimento da natureza.

A preservação total do Planeta deve ser uma utopia a ser perseguida.

Não se identifica, portanto com o interesse do agronegócio e da mineração predatória, que estão ameaçando cidades, e é realizado com a miséria dos trabalhadores e a vida dos povos tradicionais. A este projeto destrutivo não interessa a emancipação dos trabalhadorxs e dos povos originários  e, portanto, do Ecossocialismo!

No processo de construção desse projeto não há solução simples nem fácil. As soluções envolverão, necessariamente, a luta de classes, de raça e gênero, contra especialmente as  elites capitalistas que continuam a destruir a vida no planeta.

Para parte da população, esta luta já é concreta, vitimas dos efeitos climáticos que faz com que as consequências do descontrole ambiental destruam suas casas, cause epidemias de doenças que se pensava já estarem superadas.

Atingir tal objetivo exigirá muito mais do que o repúdio aos meios de produção atuais, visto que são estes meios utilizados para nossa dominação.

O nosso domínio e soberania sobre os meios de produção é requisito essencial para evitar o processo destrutivo. Se militante Ecossocialista é repudiar estes meios de produção,  sem ingenuidade e infantilidade.

 

Energia

Mudar o uso das fontes de energia sujas, a mais importante a fóssil, deve ser compromisso estratégico e tático, de forma determinada. Para isto, o compromisso político precisa ser praticado todo dia, limitando o uso daqueles que causam as principais  ameaças ambientais como o aquecimento global, a elevação das águas dos oceanos e o derretimento das geleiras.  Mas, formular a suspensão da produção de petróleo no dia seguinte a chegada aos mecanismos de governo, ignoramos que estes recursos estão entranhados no processo de produção e necessita de mediações para ser gradualmente desativado.

Mais do que propor e defender como horizonte utópico, devemos ter um processo de transformação e transição a ser perseguido com seriedade Ecossocialista. Para isto será necessário dominarmos as tecnologias alternativas de energia  renováveis, até resolvermos a dependência do próprio petróleo.

Da mesma forma, ao projeto Ecossocialista cabe formular como será realizada a defesa física da própria natureza que as classes dominantes pretendem continuara destruindo. Por mais que seja árduo, não devemos fugir a este debate.

 

Qual o caminho, o que fazer?

A falta de unidade atual da esquerda, mesmo no Psol, está fundada em projetos políticos e ideológicos que colocam em rotação diferentes práticas.

Como caracterizar as propostas da luta Ecossocialista como reformistas, revolucionárias, liberais e socialistas? O que são os modernos e avançados e os atrasados, quais modelos, métricas e/ou parâmetros usamos para medir os projetos e possibilitar escolhas com mais segurança de para onde ir, e o que fazer aos revolucionários Ecossocialistas? Como avançar para construir a unidade com identidade ideológica?

Para além de buscar agir a partir de culturas de modos de vida saudáveis e por si, protecionistas e espirituais, o projeto Ecossocialista precisa ter respostas para defender suas realizações contra inimigos muito poderosos, portanto, definir sujeitos que os sustentem, e representem como sujeitos políticos inteirados de sua situação com ideias e objetivos compatíveis com os interesses dos “de baixo”, de classe, gênero e raça. Com sujeitos e atores reais, com organização e controle presencial, não dispensando, mas não sendo substituídos pela internet.

O nosso partido não está imune as influencias de posições políticas que jogam abertamente com alianças dos setores reacionários, latifundiários e adotam a cultura opressiva de submissão.Isto se reflete nas imensas dificuldades para fazer os setoriais existirem ou funcionarem, de se articularem e conseguir fazer surgir um partido Ecossocialista feminista, negro, étnico e dos trabalhadores.

Predomina a falta de debate e a incompreensão dos projetos, exalando uma cultura opressiva que acaba praticando a submissão e silêncio nas relações políticas, mesmo que usando as “metodologias da modernidade”, com suas definições tecnológicas internéticas, expressas em inglês, onde os debates mais virulentos (não produtivos) ocorrem nas redes sociais, sem consequência ou força de resoluções políticas.

De forma geral, o funcionamento da estrutura partidária registra o estágio da luta ambiental, da consciência ecológica, do compromisso com a luta contra a degradação Planetária, da superação da sociedade de classes. E depende muito de todos nós.

São poucos os estados  onde o compromisso é sincero e os esforços são os possíveis. O que, na maioria das vezes, também significa desperdiçar a oportunidade de fortalecer uma alternativa radical, e o Partido, de forma livre e autônoma, defendendo o programa Ecossocialista.

 

Para a aplicação do projeto Ecossocialista é necessário o despertar de uma nova cultura política.

Para enfrentar o projeto conservador e negacionista (ultraneoliberal) que recai sobre todos nós devemos, sobretudo negar veementemente a ideologia burguesa, que prega o individualismo, a competição como modo de evolução e a promoção pessoal.

Os valores do liberalismo destroem a esquerda, pois impõe de modo sutil e complexo, a impossibilidade da crítica, pois a crítica tornou-se sinônimo de agressão e de diminuição do indivíduo. O exercício da critica é essencial ao nosso projeto. Somente a análise crítica de nossa própria realidade e ação permitem a construção de uma concepção coletiva.

Enquanto nos deixarmos hegemonizar pelo discurso e vias do liberalismo, manifestada a nós na forma da esquerda liberal, as individualidades suprimirão qualquer crítica concreta, que serviria de acúmulo ao nosso movimento político. É necessário reconhecer, portanto, que a verdadeira solidariedade militante só se concretiza quando, respeitosamente, colocarmos as nossas divergências, construindo a unidade com transparência ideológica. E, avançando nas divergências, podemos acumular para um processo revolucionário necessário.

Aproveitemos que estamos no cenário de auge do domínio capitalista – o que dialeticamente conforma possibilidades revolucionárias -, e avancemos preservando o Planeta, com sujeitos transformadores empoderados, contra a criminalização dos movimentos sociais, como os indígenas, negrxs, ambientais.

 

Se o Brasil se tornou o país onde mais morrem militantes das causas preservacionistas e garantidoras de direitos dos povos originários, é porque no passado muitos já morreram para impedir a devastação proposta para este momento.

As lutas de defesa do ambiente ampliaram para além do que se poderia imaginar no passado. Agora, envolve lutar para superar as deformações dos espaços urbanos a partir dos direitos de viver com qualidade com bem estar ambiental e climático.

Os territórios indígenas quilombolas e de comunidades tradicionais, devido ao crescimento demográfico, hegemonia cultural da classe dominante, estão no espectro cultural urbano, com suas raízes de formações históricas.

Lutamos pela garantia dos territórios dos povos indígenas, quilombolas e das comunidades tradicionais, pela continuidade e garantia de seus projetos de vida, pela preservação dos bens culturais e dos bens da floresta.

Pra nós tecnologia é mais do que um produto da indústria cultural, e, ou, que vem do exterior. É também o conhecimento ancestral, os processos que os povos indígenas, africanos e de outros continentes acumularam durante a sua existência milenar. E marca diferença profunda com o mercantilismo e o capitalismo.

Valorizamos as práticas inspiradas e tendo como base na sabedoria dos povos ancestrais. O Brasil é uma nação com povos milenares.

 

Objetivo principal

O Ecossocialismo ainda é um assunto em estudo. Precisamos de mais acumulo para definir sua concepção na construção de novo modelo social na relação com a natureza e na construção de um mundo solidário, com outros valores e de respeito as diversidade. Seu principal objeto de militância é trabalhar para Salvar o Planeta. Mas, se ainda não temos “uma concepção teórica definida”, ela não virá à priori. Só virá neste caso de uma mudança individual-estrutural, portanto empírica. Salvar o planeta não pode ser uma ideia etérea. É um conjunto de práticas que precisam ser feitas por um número cada vez maior de pessoas comprometidas em mudar a relação social, com o plástico, com os combustíveis fósseis, com a produção de resíduos sólidos orgânicos, advindas de outra visão cosmológica. De ações concretas e filosóficas.

A concepção Ecossocialista da APS se apoia no marxismo como orientação teórica principal, e nos movimentos de luta internacional dos Trabalhadorxs e dos povos tradicionais, colocando como horizonte, a revolução Ecossocialista, o controle do Antropoceno – reeducando o modo de produzir, consumir e viver.

Aqui é construir o Ecossocialismo para interromper a barbárie!

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  1. https://observador.pt/2017/09/30/elon-musk-revelou-o-plano-de-colonizacao-de-marte/ . Também ver https://www.bbc.com/portuguese/geral-39164794
  2. Conferência das Nações Unidas em comércio e desenvolvimento. 2018. World Investment Report 2013. Disponível em: https://unctad.org/en/PublicationsLibrary/wir2018_en.pdf . Ver a página 27, que é um resumo de um relatório de 2013 também da ONU, que estudou especificamente as características do comércio global e transações entre multinacionais.

3.Ver o levantamento do Instituto Centro de Vida, uma associação sediada em Alta Floresta-MT, Disponível em: https://www.icv.org.br/2018/12/10/mato-grosso-tem-a-maior-taxa-de-desmatamento-nos-ultimos-10-anos/

 

 

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