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APS/PSOL: Não ao Golpe na Venezuela. EUA Go Home!

Que o povo da Venezuela decida seu futuro! Independentemente das críticas que temos ao governo Maduro, trata-se de defender incondicionalmente a soberania do povo venezuelano. Nota da APS/PSOL, a seguir.

 Nota da APS/PSOL sobre a Tentativa de Golpe na Venezuela

Não ao Golpe. Que o povo da Venezuela decida seu futuro. EUA, Go Home!

 Mais uma vez a direita venezuelana e seus aliados externos, como o imperialismo dos EUA e Bolsonaro, foram derrotados no intento de promover um golpe de estado naquele país.

  1. O farsante pseudo e autoproclamado “presidente” Juan Guaidó, que liderou a ação reacionária, anunciou na manhã da terça-feira que as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas teriam aderido à oposição e estariam lhe dando suporte político e militar. Sus declarações foram dadas ao lado de outro líder da extrema direita do país, Leopoldo López, que estava foragido de uma prisão domiciliar, e de um punhado de militares. Eles, junto com grupos de civis igualmente armados, tentaram atacar quarteis e bloquear estradas, tentando criar um cenário de caos.
  2. Entretanto, logo se verificou que suas declarações grandiloquentes não passavam de mais uma farsa. Além do grupo de militares ser pequeno, uma parte dos soldados foram manipulados e mobilizados pelos chefes imediatos sem ter conhecimento das reais motivações da movimentação militar. No final, Lopez pediu asilo político na embaixada da Espanha e cerca de 25 militares pediram asilo na embaixada do Brasil.
  3. A crise na Venezuela e a nova tentativa de golpe, se inserem dentro de um conjunto de agressões na América Latina onde a situação continua se agravando com a ofensiva das direitas nacionais e do imperialismo dos EUA que busca compensar seu relativo enfraquecimento econômico com ações geopolíticas e militares visando o saques de nossas riquezas, como o petróleo, e a superexploração do trabalho em condições ainda duras para nosso povo. E agora, conta com o governo Bolsonaro agindo para reforçar essa agenda.
  4. Após as ondas de lutas na região, entre o final da década de 90 e o início dos anos 2000, que culminaram com a conquista, de governos menos submissos aos ditames dos EUA e, ainda que com ambiguidades, até de governos de tendência anti-imperialista, cujo exemplo mais simbólico foi o de Chávez na Venezuela, o que predomina é a crise econômica, social e política, em parte alimentada pela influência direta do governo dos EUA (caso da Venezuela) ou de frações do capital estadunidense e a sabotagem das burguesias internas.
  5. Entre o ano de 2002 e a explosão da crise mundial em 2008 o continente latino-americano experimentou um relativo crescimento econômico baseado num modelo neodesenvolvimentista que, com particularidades nacionais, esteve assentado no processo de reprimarização da economia em função da alta dos preços e das exportações de commodities, principalmente minérios, soja, gado e também petróleo.
  6. Alguns países, como o Brasil, ainda conseguiram retardar os efeitos da recessão mundial por algum tempo. Entretanto, a partir de 2013/2014 a crise se instala com força total com altas taxas de desemprego passando dos dois dígitos percentuais. Venezuela, Colômbia, Argentina e, em menor medida, Equador, seguiram o mesmo diapasão e viram suas economias em crise. As previsões de crescimento do PIB para a América Latina em 2019 estão em torno de 1%, bem abaixo da média mundial que, entretanto, também será baixa e não deve chegar a 3%.
  7. O componente político dessa crise foi o recrudescimento de uma direita que rompeu com a tendência anterior, de conquistas de governos relativamente menos autoritários. Há poucos anos tínhamos assistido conquistas eleitorais importantes como os casos de Venezuela, Bolívia e Equador, países que tiveram governos mais à esquerda.
  8. Chávez chegou ao governo aclamado pelo povo em 1999 e desde então a Venezuela incentivou energias transformadoras na América Latina. Num momento da história marcado pela investida neoliberal, quando a globalização imperialista imprimia cada vez mais miséria e perversidade, impulsionando um novo ciclo de guerras e atrocidades, a luta do povo venezuelano – que tinha em Chávez sua principal liderança e referência pública – veio na contramão de tudo isso, denunciando o imperialismo norte-americano e o capitalismo, e contribuindo para a renovação das utopias.
  9. A Revolução Bolivariana da Venezuela surgiu como um exemplo de resgate da trajetória heroica da luta popular, em sintonia com as demandas populares concretas e em perspectiva histórica anti-imperialista, antilatifundiária, anti-oligopolística e democrática radical, e contribuiu objetiva e subjetivamente ao avanço das lutas populares em Nossa América.
  10. O objetivo político dos EUA de derrotar o projeto bolivariano, por qualquer meio, sempre esteve na pauta do imperialismo. Eles querem tanto saquear as riquezas como o petróleo, como provocar uma derrota política a um projeto que anunciou uma independência real. Contudo, a situação se complicou após a morte de Chávez, em março de 2013, mesmo com a difícil vitória de Nicolás Maduro nas eleições do mesmo ano. Se fortaleceu uma tendência de desestabilização política da Revolução Bolivariana por parte do imperialismo norte-americano dada a vitória dos golpes anteriores no Paraguai e Honduras, e o desenvolvimento das técnicas de desestabilização de regime opositores sem o ônus político de uma intervenção armada estrangeira, ou de um golpe militar tradicional. O golpe no Brasil e as derrotas de projetos neodesenvolvimentista na Argentina e Equador, aprofundaram o isolamento do governo venezuelano, animando as perspectivas golpistas dos EUA e da direita doméstica e internacional.
  11. Por outro lado, estas circunstâncias vieram complicar a situação, provocando um impasse na continuidade do projeto bolivariano – que já tinha suas limitações e ambiguidades – o que tem aprofundado suas contradições internas, mostrando a incapacidade das forças governantes de gerarem uma verdadeira saída revolucionária para a crise e aguçando os interesses norte-americanos na região, visando desestabilizar e derrubar o governo.
  12. O bloqueio diplomático e econômico externo e o boicote econômico de parte da burguesia venezuelana, além da especulação e corrupção presentes entre a própria chamada “burguesia bolivariana”, confluíram para um aprofundamento da crise. Geraram seguidas crises de abastecimento, provocando, além de consequências econômicas e sociais de muita dificuldade para a subsistência da maioria da população e aumento da pobreza, do desemprego, da hiperinflação fora de controle gerando uma duríssima carestia, e uma insatisfação política generalizada no meio do povo.
  13. No entanto, com o apoio de parte da população e das Forças Armadas, o governo tem conseguido sobreviver a várias tentativas de golpe e até ameaças de invasão estrangeira, particularmente dos EUA. O país irmão enfrenta ainda um bloqueio internacional da maioria dos países mais importantes da Europa e da maioria do próprio Parlamento Europeu, do Grupo de Lima (países americanos com governos de direita) e até da OEA (Organização dos Estados Americanos), que decidiram apoiar o deputado Juan Guaidó, que se autoproclamou pseudo “presidente” da Venezuela, sem legitimidade e sem base legal.
  14. Com apoio da Rússia e da China, que têm dado respaldo político e diplomático e mantido relações econômicas e militares (comércio bilateral, investimentos diretos e financiamentos), o governo tem conseguido aliviar parcialmente a carência alimentos, medicamentos e outras mercadorias de consumo popular. E viabilizado a importação de armas e munições da Rússia e da China e de algum tipo de apoio técnico-militar pelo menos dos russos. Entretanto, isso tem significado menos uma atitude de solidariedade internacional e mais um ação que visa interesses econômicos e geopolíticos dessas duas potências em sua disputa global, de características interimperialistas, com os EUA. E, nesse quadro, a Venezuela, ao invés de avançar no rompimento da dependência, acaba aprofundando-a com a alienação de importantes reservas de riquezas naturais para as potências aliadas a Maduro.
  15. Mas, independentemente das críticas que temos ao governo Maduro, não se trata de defende-lo, mas de defender incondicionalmente a soberania do povo venezuelano. Portanto, a prioridade do momento é de repudiar toda movimentação golpista da burguesia e da elite liberal conservadora venezuelana aliada dos EUA e outros governos latino-americanos submissos aos interesses daquele imperialismo, como os do Brasil e da Colômbia.
  16. Nesse cenário de movimentações do imperialismo na América Latina, visando impor seu projeto geopolítico e seus interesses econômicos, que inclui o saque às nossas riquezas naturais e a regressão dos avanços e conquistas populares, assim como barrar as possibilidades de aprofundamento das transformações sociais e dos acúmulos emancipatórios e anti-imperialistas, impõe-se a atualidade da solidariedade a todos os povos nas suas lutas históricas pela democracia, a independência nacional e o socialismo. E isso inclui um posicionamento claro contrário às agressões militares externas, aventuras golpistas e bloqueios econômicos.

 

Repudiamos toda tentativa golpista da direita venezuelana!

Fora o imperialismo da Venezuela!

Que o povo venezuelano decida seu futuro!

APS/PSOL – Ação Popular Socialista

3 de maio de 2019

 

 

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