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#8M, uma semente feminista internacional

A internacionalização das lutas das Mulheres: #8M, uma semente que germina com força. Por Zilmar Alverita. “Nos queremos Vivas”. “Nossas vidas importam”.  Nos

últimos anos vem ganhando força uma tendência de construção de marchas e greves organizadas por movimentos feministas e movimentos de mulheres em diversos países, com eixos comuns como o combate ao feminicídio.

A agenda internacionalmente construída, denominada “#8M”, tem as redes sociais como principal espaço de articulação política. Este processo recente anuncia uma semente de esperança: a possibilidade de internacionalização das lutas no contexto de um processo de financeirização (e de globalização) da economia.

Apesar das especificidades nacionais, os efeitos do capitalismo patriarcal, racista e heteronormativo sobre as mulheres têm muitas semelhanças. O aumento das taxas de assassinato de mulheres por parceiros íntimos (feminicídio) é um exemplo disso, e não por acaso esta é uma pauta comum que tomou as ruas em Barcelona, na Argentina, no Chile, e em várias cantos do Brasil no #8M 2019. Outras pautas comuns como a desigualdade salarial, a baixíssima representatividade nos parlamentos, a imposição do trabalho doméstico como atividade social principal das mulheres, e as mortes por abortos feitos de forma clandestina têm mobilizado mulheres de diversos cantos do mundo a marcharem em passos combinados.

Em 2019, a agenda internacional das mulheres ganhou mais uma bandeira: a luta por justiça pela execução de Marielle Franco e em defesa da sua memória. Ela foi lembrada não só por brasileiras, mas também pelas argentinas e mulheres de outras nacionalidades.

Um aspecto que chama a atenção é o volume de militantes nas ruas. Em 2019, meio milhão na Espanha. Em Madri, chegou a 375 mil pessoas, maioria mulheres – segundo Jornal El Pais. As mulheres negras, migrantes, refugiadas e racializadas participaram das manifestações. Em Barcelona, chegou a 230 mil participantes. No Brasil, na maior capital do país, SP, milhares de mulheres marcharam na Avenida Paulista, e centenas em inúmeras capitais como Rio de Janeiro, Salvador, e em cidades do interior dos Estados brasileiros.

No Brasil, os atos realizados no 8 de Março reafirmaram o #EleNão em muitos aspectos. As feministas denunciaram a política sexista do atual Governo, inclusive as falas conservadoras da Ministra Damares. As mulheres disseram não à Reforma da Previdência defendida pelo Presidente Jair Bolsonaro porque ela significa um profundo retrocesso em direitos já conquistados pelas mulheres trabalhadoras, com maior perda para as mulheres camponesas.

As camponesas foram às ruas com o slogan “Pela vida das mulheres, Somos todas Marielle”. Pautaram com centralidade o combate à reforma da previdência (que atinge mais perversamente as mulheres do campo) e o combate ao feminicídio, pois já somam 107 casos registrados desde o inicio deste ano. Elas destacaram que o decreto N 9685, que altera as regras para a posse de armas no Brasil, pode significar uma maior ameaça à vida das mulheres, num país onde duas a cada três mulheres foram assassinadas dentro do domicilio entre 2016 e 2017. As camponesas defenderam ainda pautas como seus territórios e sementes.

O #EleNão segue necessário porque a luta por nenhum direito a menos será permanente neste governo do desmonte das políticas para as mulheres e para toda a classe trabalhadora. Eleito com discurso manipulador do ódio, da misoginia, do racismo e da intolerância religiosa, Jair Bolsonaro e seus ministros representam uma ameaça à vidas das mulheres, das populações tradicionais, ameaça aos direitos humanos, ao direito à luta e ao direito à organização da luta.

Como costumava insistir Marielle Franco, “Diversas, mas não dispersas”. Assim marcharemos. Com pautas unificadas, em defesa das políticas públicas para as mulheres, em defesa da vida, dos nossos territórios, das nossas riquezas materiais e imateriais. Que a luta das mulheres se internacionalize. E que inspire outros movimentos.

Marielle Vive, Hoje e Sempre!

Zilmar Alverita é militante feminista e doutora em Ciências Sociais

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